Verso

Sobre se sentir vivo

Porque é na angústia que reconheço que sou

Já faz alguns dias que queria escrever sobre o que eu vou escrever aqui.

Não escrevi antes porque não tinha muita energia, mas hoje parece que eu tenho. Acho que é porque agora eu nunca me senti tão sozinho. A sensação é de que se eu só sumisse hoje ninguém ia perceber, e mesmo se percebesse não ia se importar muito. É uma sensação muito ruim sentir que é só você.

Eu tinha chamado o Dolly aqui pra casa hoje à noite depois da aula, mas ele não quis porque ia sair da UFMG tarde e ia acordar cedo na sexta. E tudo bem, marcamos outro dia. A questão é que Bárbara postou um story no instagram na casa dele hoje; estavam vendo um jogo do Flamengo. Difícil não pensar que as pessoas consideram minha companhia ruim.

Hoje pela primeira vez pensei em cancelar por definitivo o RPG que eu mestro pro pessoal. Não tenho coragem de fazer isso porque sei que é um grupo muito bom e que dá muito certo e tem uma história legal pra ser contada ainda, mas o pensamento veio. Eu não daria muita importância, mas eu também pensava em morrer e não dava tanta bola até que a ideia ficou mais séria.

Mas não é sobre nada disso que eu vim falar hoje. É sobre uma reflexão que uma música do Lorna Shore me fez ter essa semana.

Eles lançaram um álbum novo semana passada; tá incrível. Muito bom mesmo. Muito brutal, empolgante, com instrumentações muito bem feitas e melodias lindas; e claro, o vocal do Will Ramos tá no ponto. Ele é o melhor do mundo mesmo no quesito gritaria. Se vierem pro Brasil algum dia, eu vou ser o primeiro a comprar ingressos pra melhor pista que tiver, e vai ser um dinheiro gasto com muita alegria. Se eu estiver vivo até lá.

Uma das músicas desse álbum se chama In Darkness. A parte que me fez ter uma reflexão foi a seguinte:

We made a home in the shadow of madness
We live in darkness
In darkness
We come to life

Me deixou bem pensativo. Alguns dias antes de ouvir essa música eu lembro que estava muito angustiado, mas não lembro com o quê. Talvez algo relacionado à Cássia, ou ao SPOILER, ou às duas coisas, ou talvez nenhuma delas. Não lembro bem, só lembro do sentimento, mas tinha uma coisa que não tinha reparado antes. No meio de toda aquela angústia, eu me sentia muito vivo. Não sei bem o que isso quer dizer na prática, mas é a melhor forma que tenho de descrever. Uma energia diferente, uma certeza estranha de que eu existia naquele lugar enquanto sentia tudo o que estava sentindo.

É como se essa sensacão me fizesse colocar em perspectiva toda a minha vida e todas as sensações que tive antes daquele momento, boas ou ruins. Tudo o que eu senti influenciou várias escolhas da minha vida que me levaram àquele momento específico. A questão é que foi um momento em que eu queria desaparecer. Ironicamente, o momento no qual eu queria morrer era o que eu mais me sentia vivo.

Não sei desenvolver muito mais, então acho que vou encerrar por aqui. Agora são 00h44 e eu tenho uma entrevista técnica com o pessoal da Flagsmith às 08h. Não acho que vou seguir com o processo porque tô de boa na Bridge por enquanto, mas não custa nada, né. Vamos ver no que dá.

Logo mais devo postar as letras que escrevi pro próximo EP. Me orgulho em dizer que ficaram bem boas. Ficaram sinceras. Falo mais sobre isso nas postagens individuais de cada uma.